domingo, 17 de janeiro de 2010

Favole


Não tinha controle sobre suas presas. Não mais.

Pela sua boca, um grito silencioso.

Por suas bochechas, lágrimas negras.

Tantos chamados, nenhuma resposta.

Olhos cinzentos. Olhavam para o nada, procurando por seu tudo.

Que um dia fora nada. E quando a encontrar, se tornará nada.

Estava ali mais uma vez.

Gotas de sangue em seu vestido de seda, impecável, vulnerável. Não se importava.

Orava para morte. Devoção que lhe causava sofrimento.

Sentiu os espinhos roçarem ao redor de sua testa, nuca, com o movimento de seus cabelos, ao ritmo do vento.

Em cima das velas, as finas chamas dançaram.

A dor, apalpável, no ar carregado a tocou.

E ao longe, em meio ao tormento da noite eterna, um lobo uivou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário